domingo, 21 de março de 2010

A Voz do Silêncio


Pior do que a voz que cala,
É um silêncio que fala.


Simples, rápido! E quanta força!


Imediatamente me veio a cabeça situações
Em que silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um email que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude
depois de uma discussão.
O perdão não vêm, nem um beijo
nem uma gargalhada
pra acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferívil uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem sua queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta os planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando."

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para o cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que pertuba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada,
não há recados na caixa eletrônica
e mesmo assim você entende a mensagem.


Martha Medeiros








(8)

E eu já fui loira, ó. hahaha

Eu já senti muita saudade.

Saudade da minha família que mora longe, saudade dos tempos de escola, de momentos e até do que eu ainda não vivi nem conheci. Mas a verdade é que hoje eu sinto uma saudade que não é saudável, uma saudade que machuca, que entristece.

Saudade da amizade, da minha vida quando ela existia no dia a dia, era próxima, era sempre novidade, era presente.

Dá tempo de voltar atrás? Não né?

Uma pena. E como dói.

Fora a saudade, tem as dúvidas, as perguntas sem resposta e até mesmo o medo das respostas.

E eu que sempre me achei tão bem decidida e resolvida.

Eu preciso ter vergonha de dizer que estou me sentindo triste, insegura, carente e com um nó na garganta que parece que não passa nunca?

Bom era quando chorar aliviava, agora que não alivia mais, faz-se o que?